Minas Gerais
15h56 05 Abril 2019
Atualizada em 05/04/2019 às 15h59

Pesquisa da UFMG monitora crianças para detectar risco de doença cardíaca na fase adulta

Por Peter Moon
HC/Divulgação
Imagem de ecocardiografia com aquisição feita em criança, em pesquisa sobre risco de doença cardiopatia reumática na fase adulta

cardiopatia reumática é uma uma doença com origem imune, que começa a se desenvolver ainda na infância e na adolescência, naqueles indivíduos com casos de infecção bacteriana na garganta (amigdalites) tratados de forma inadequada ou não adequadamente identificados.

Nas crianças e adolescentes com predisposição ao desenvolvimento da cardiopatia reumática, uma sucessão de amigdalites bacterianas não adequadamente tratadas pode desencadear um processo autoimune que ataca lentamente as válvulas cardíacas. 

cardiopatia reumática tem um curso silencioso e assintomático. Pode levar décadas até que as manifestações clínicas se manifestem, com a ocorrência de disfunção das válvulas cardíacas e, consequentemente, de insuficiência cardíaca.

Nos estágio mais avançados da doença, os pacientes com cardiopatia reumática podem precisar se submeter a procedimentos complexos, incluindo valvuloplastias, cirurgias cardíacas de tórax aberto e, dependendo da gravidade do caso, inclusive recorrer ao transplante de coração.

"Se fosse possível detectar, ainda na infância e adolescência, quais crianças possuem predisposição a desenvolver cardiopatia reumática, elas poderiam ser acompanhadas de perto ou mesmo tratadas com antibióticos para reduzir a progressão da doença, prevenindo o desenvolvimento futuro de cardiopatias," diz o médico cardiologista Bruno Ramos Nascimento, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, e do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular, do Hospital das Clínicas da UFMG.

"A cardiopatia reumática é uma reação do corpo a infecções bacterianas que não foram tratadas adequadamente. O corpo desenvolve uma reação imunológica que dá origem à cardiopatia reumática. Na sua fase inicial, a doença é assintomática. Caso não seja diagnosticada e tratada ainda na primeira fase, ao longo de décadas a doença poderá acometer as válvulas do coração, e até causar insuficiência cardíaca," explica o Dr. Nascimento.

Segundo o médico, fatores que colaboram para o desenvolvimento de cardiopatias são a condições econômicas das famílias e o acesso inadequado aos serviços de saúde. 

Neste sentido, entre 2014 e 2017, uma equipe de médicos e especialistas liderada pelo Dr. Nascimento realizou um extenso trabalho de rastreamento de cardiopatias em escolas de bairros de baixa renda na região metropolitana de Belo Horizonte e na cidade de Montes Claros (MG).

Os exames foram realizados por agentes que utilizam aparelhos portáteis. As imagens são transmitidas por telemedicina e analisadas por especialistas do Hospital das Clínicas da UFMG e em Washington, nos EUA. O objetivo é fazer o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares, especialmente a cardiopatia reumática, através da identificação precoce de alterações nas válvulas cardíacas desencadeadas por infecções, como amigdalites, não devidamente tratadas ou não diagnosticadas.

"Além do rastreamento ecocardiográfico de cerca de 12.000 crianças, o programa chegou a rastrear cerca de 30 mil pessoas nas comunidades onde atua, por meio de ações educativas”, explica o Dr. Nascimento.

Esta ação nas escolas faz parte do Programa de Rastreamento de Valvopatia Reumática (PROVAR+), projeto de rastreamento de cardiopatias em regiões com baixos índices socioeconômicos, por meio de ecocardiografia em escolas e centros de saúde, sediado no Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG.

O programa PROVAR+ é fruto de colaboração da UFMG com o Children’s National Health System de Washington, DC (EUA). A iniciativa é financiada pela Edwards Lifesciences Foundation e pelo CNPq.

Segundo o Dr. Nascimento, o novo método detectou que 4,5% dos 12 mil alunos examinados possuem alguma característica anormal nas válvulas cardíacas (4%) ou então já possuem alterações definitivas (0,5%), revelando predisposição para o futuro desenvolvimento de cardiopatia reumática. 

Os resultados foram publicados em março/2019 na publicação científica Circulation Cardiovascular Imaging. Este estudo buscou determinar, dentre as anormalidades observadas ao ecocardiograma das crianças, aquelas que têm o maior potencial de levar à progressão da doença ao longo do tempo. A partir de um sistema de pontuações (escore), pode-se identificar as crianças e adolescentes sob maior risco.

De acordo com o cardiologista, a metodologia de análise das imagens envolveu a população avaliada no Brasil pelo estudo PROVAR, com validação do escore em centenas de pacientes (crianças e adolescentes) também com diagnóstico de cardiopatia reumática em Uganda, na África, acompanhados por longos períodos. Resultados comprovaram que a metodologia, de fato, é capaz de identificar crianças e adolescentes com predisposição ao desenvolvimento da cardiopatia reumática na idade adulta.

“Demonstramos que é elevado o índice de alterações nessas populações, de pacientes assintomáticos e sem diagnóstico prévio. O ecocardiograma provê diagnóstico precoce e possibilita agora identificar os pacientes que devem ser acompanhados de forma mais próxima e eventualmente encaminhados mais rapidamente para os cuidados especializados, incluindo a profilaxia com antibióticos”, completa o Dr. Nascimento. 

A interpretação dos exames foi realizada por médicos especialistas de acordo com as diretrizes da World Heart Federation, pelo sistema de computação em nuvem para armazenamento e análise das imagens. As crianças com exames alterados (borderline e definitivos) foram encaminhadas para o Serviço de Ecocardiografia do Hospital das Clínicas (HC) da UFMG para realização de ecocardiograma completo. 

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